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 Livro sobre criação do Facebook gera polêmica nos EUA
15 de julho de 2009 12h22 atualizado às 13h25

Fundador do Facebook, Zuckerberg não foi entrevistado para o livro. Foto: Getty Images

Fundador do Facebook, Zuckerberg não foi entrevistado para o livro
Foto: Getty Images

O escritor Ben Mezrich quer que os leitores apreciem seu novo livro, sobre a fundação da rede de relacionamento da web Facebook, como um thriller de leitura prazerosa e ignorem as críticas a seus métodos de narrativa.

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O livro de Mezrich, The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook, A Tale of Sex, Money, Genius and Betrayal (Bilionários por Acaso: a Fundação do Facebook, uma História de Sexo, dinheiro, Genialidade e Traição, em tradução livre) chegou às livrarias dos Estados Unidos na terça-feira e já está sendo duramente criticado por muitos como uma obra mais no campo da diversão do que de informação.

A revista BusinessWeek qualificou o livro, editado pela Doubleday, como uma "miscelânea de mau gosto" e disse que Mezrich escreveu um "relato de ficção sobre a fundação do Facebook".

Mezrich refuta essas críticas dizendo que são "besteiras elitistas". "É um livro de não-ficção. É uma história verdadeira", disse ele em entrevista à Reuters. "Sou um escritor de textos de não-ficção de um jeito diferente do de outras pessoas. Estou tentando criar meu próprio estilo de não-ficção."

Mezrich não entrevistou o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e os críticos dizem que ele não conseguiu explicar adequadamente a transformação de Zuckerberg de um estudante antissocial da Universidade de Harvard em um dos mais novos valores do Vale do Silício.

A controvérsia não é novidade para Mezrich. Seu livro Quebrando a Banca, sobre um grupo de estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, que ganham milhões de dólares jogando blackjack e avaliando estratégias do jogo nos cassinos de Las Vegas, foi criticado pelo BostonGlobe por ter inventado fatos e personagens.

Mezrich insiste que segue a prática normal do jornalismo - realizar entrevistas, falar com fontes, vasculhar documentos e juntar todo o material em um texto.

Em um trecho do livro, ele especula que Zuckerberg invadiu um dormitório de Harvard para tirar dados de um computador, descrevendo-o escondido atrás de um sofá à espera de que um casal que faz sexo deixe a sala.

"Eu tanto posso redigir uma sentença que diz que um engenheiro afirma que este é o modo como (Zuckerberg) agiu, ou eu posso recriar a cena", disse Mezrich. "Optei por escrever a cena." "Estou muito mais voltado para o entretenimento do que para a literatura", diz ele, citando autores de ficção como Stephen King, Michael Crichton e John Grisham como seus "heróis".

"Próximo passo na evolução humana"
Ao lhe pedirem para comentar o livro, o porta-voz do Facebook, Elliot Schrage, disse em um comunicado: "Ben Mezrich claramente aspira a ser a Jackie Collins ou a Danielle Steele do Vale do Silício".

Mas Mezrich defende seu livro. "Qualquer pessoa que leia este livro e esteja nele, Mark Zuckerberg, por exemplo - o que ele diz publicamente é diferente - mas se ele sentar-se em sua sala e ler a obra, vai colocá-la de lado e dizer: 'Yeah, foi assim que aconteceu'", disse Mezrich. "E é isso que o torna não-ficção."

O livro retrata a velocidade surpreendente com que o Facebook, criado como um site para estudantes de Harvard, em 2004, se tornou conhecido em toda a parte. Também detalha o ambiente de Harvard as disputas legais sobre quem fundou o Facebook e quem primeiro teve a ideia.

Reuters
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