Tecnologia

 
 

Notícias » Tecnologia » Tecnologia

 Incubadora de tecnologia em NY forma núcleo de colaboração
03 de maio de 2010 19h43

Em 2008, antes que a maioria das pessoas soubesse o que é um tweet, Iain Dodsworth, programador em Londres, criou uma ferramenta de software que reorganizava a bagunça de seu Twitter em colunas ordenadas. Deu ao aplicativo o nome de TweetDeck. Passados alguns meses, seu uso ganhou o tipo de ímpeto com o qual qualquer empresário sonha. Os blogs de tecnologia o elogiavam e usuários não cansavam de baixá-lo. Ashton Kutcher postou um vídeo no qual aparecia usando o serviço, em companhia de sua mulher, Demi Moore. Não demorou para que os investidores começassem a expressar interesse.

» Leia mais notícias sobre Negócios & TI
» Siga o Terra Tecnologia no Twitter

"Foi assustador", disse ele. "Eu era uma companhia de um homem só, recebendo ofertas a torto e a direito, de pessoas das quais nunca tinha ouvido falar". Mas entre esses contatos, Dodsworth recebeu uma mensagem de uma empresa que ele já conhecia: a Betaworks, de Nova York, conhecida por sua capacidade de distinguir talento entre os serviços iniciantes de web. "Dinheiro é bom, mas eu na verdade precisava acima de tudo de conhecimentos especializados", disse. "A Betaworks tinha um histórico tão longo nesse ramo que, quando ela começou, o ramo nem existia".

Nos dois anos transcorridos desde então, a Betaworks ganhou proeminência nos círculos da tecnologia em Nova York por ajudar os empresários a ajustar e expandir suas companhias. A empresa conduziu alguns empresários a vendas lucrativas e ajudou outros a levantar dinheiro junto a empresas conhecidas de investimento, tanto em Nova York quanto no Vale do Silício.

Incubadoras como essa são comuns, nos polos tecnológicos mais tradicionais. O Vale do Silício, por exemplo, conta com a incubadora tecnológica Y Combinator, e em Pasadena existe a Idealab.

"Historicamente, em Nova York sempre houve mais incubadoras de biotecnologia do que de outras tecnologias", disse Jonathan Fowles, diretor do Centro para o Futuro Urbano, que estuda o desenvolvimento econômico de Nova York e outras cidades. "Nova York há muito estava privada de investidores locais, com raízes na cidade e o compromisso de criar uma comunidade sustentável de tecnologia. A Betaworks está começando a ocupar esse vazio que existia na cidade desde os anos 90".

A empresa foi criada por John Borthwick e Andrew Weissman, que trabalharam na America Online nos anos 90. "Eu estava lá quando a America Online comprou a Compuserve e a Netscape, e fechou seu primeiro acordo de conteúdo com a Amazon", diz Weismann, vice-presidente de operações. "Era possível discernir como essas novas peças da internet se encaixariam".

Ele disse que acompanhou a perda gradual de mercado de um dos projetos da America Online, o MapQuest. O Google Maps passou a crescer mais rápido porque permitia que outras empresas acrescentassem informações a um mapa ou usassem o serviço em outras ferramentas. "Era perceptível que aquele seria um grande modelo. Nós achávamos que o caminho era aquele, e queríamos investir naquela espécie de companhia".

Pouco mais de três anos atrás, os dois decidiram criar uma empresa própria para colocar em prática essa ideia. Graças a ferramentas como o Amazon web Services, Twitter e Google Apps, os programadores se tornaram mais capazes de criar e ampliar o uso de ferramentas via web. "Sabíamos que havia uma mudança fundamental em curso na internet", diz Borthwick, o presidente-executivo da Betaworks. "E sabíamos que ela seria social".

Os dois passaram nove meses deliberando sobre como estruturar sua empresa, antes de decidir por um híbrido entre companhia de investimento e incubadora. "A estrutura de capital para empreendimentos depende de encontrar uma companhia muito vencedora", disse Borthwick. "Mas nosso objetivo é criar uma rede de empresas com muitas conexões entre elas, o que amplia a chance de sucesso de todas elas".

Não é difícil perceber esse espírito em operação. As duas dezenas de empresas que operam sob a orientação da Betaworks fazem questão de usar as criações umas das outras, e muitas vezes incorporá-las aos seus serviços. Em recente reunião na companhia, cerca de três dúzias de funcionários da Betaworks e das empresas que ela assessora lotaram uma sala trocando informações, novidades e ocasionais piadas amistosas sobre seus diversos produtos.

A Betaworks desenvolveu algumas ferramentas da web a partir do zero, entre as quais o Bit.ly, serviço que encurta endereços de internet, e o Chartbeat, que analisa o tráfego da web em tempo real. Mas ela está em busca de empresários que tenham mais que uma visão. "Se alguém aparecer com uma grande ideia escrita em um guardanapo, nós agradeceremos e pediremos que a pessoa construa um protótipo", disse Weissman.

A Betaworks, afirmou, vai se concentrar em cinco a 10 companhias ao ano. A empresa tem alguns investidores, entre os quais a New York Times Co., e em sua última rodada de captação arrecadou US$ 20 milhões.

Os investidores confiam na Betaworks para que lhes informe sobre a próxima onda de companhias de internet promissoras, diz Jim Robinson, sócio da RRE Ventures, uma companhia de investimento em tecnologia. "É um grande filtro e sistema de avaliação para nós", diz. "Podemos ver companhias interessantes quando ainda jovens, e rastrear seu desenvolvimento".

O melhor indicador do sucesso da Betaworks é a Summize, uma pequena empresa iniciante que permitia que usuários realizassem buscas no Twitter. A Betaworks investiu inicialmente no grupo em dezembro de 2007, e continuou a ajudar em seu desenvolvimento. O Twitter adquiriu a companhia em julho de 2008, por supostos US$ 15 milhões.

A Betaworks criou o Bit.ly a pedido de suas empresas, que desejavam uma forma segura e confiável de encurtar endereços de web, muitas vezes longos e complicados demais. À medida que o uso do serviço disparava fora do grupo de empresas da Betaworks, Borthwick e Weissman levantaram US$ 3,5 milhões em capital para ele e o estabeleceram como companhia separada, ainda que sua equipe continue trabalhando nos escritórios da Betaworks.

"Podemos parecer com uma incubadora do passado", disse Borthwick, gesticulando para mostrar as lousas, as cadeiras antiquadas e o logotipo em forma de aquário. "Mas não operamos como fábrica", disse. "Não temos linha de produção, e não queremos colocar as ações de 40 empresas na bolsa este ano".

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
The New York Times