A Google deve revelar o muito esperado Chrome OS apenas no final do ano
Foto: Steve Forrest/The New York Times
- Brad Stone
Jordon Wing é um usuário dedicado dos produtos Google, como Gmail, o navegador Chrome e o Google Docs, o programa de processador de texto na web. Algumas semanas atrás, Wing, um aluno do colegial de Spokane, Washington, testou outro produto Google: o sistema operacional Chrome. A Google deverá revelar o muito esperado Chrome OS apenas no final do ano e o software irá funcionar, inicialmente, apenas nos PCs de baixo custo chamados netbooks. Mas Wing, ao lado de um número crescente de fãs do Google, não quis esperar.
Essas pessoas estão baixando versões caseiras do sistema operacional, derivadas do hermético código fonte que o Google lança sob o nome Chromium. A Google está desenvolvendo o sistema Chrome como um projeto de código aberto e periodicamente libera na internet o código Chromium, para permitir que outros desenvolvedores da web contribuam para o projeto.
Vários usuários talentosos pegaram a vastidão não-refinada de códigos fonte e fizeram algo que a Google disse nunca ter esperado: eles compilaram o código e criaram versões funcionais do sistema operacional, feito para ser usado em dezenas de marcas de computador e disponível para as pessoas comuns que querem ter uma prévia de uma das possíveis visões de seu futuro high tech.
"Talvez seja porque eu ainda sou meio garoto, mas todas essas novidades são empolgantes", disse Wing, que instalou o Chromium no seu laptop Dell Inspiron e recentemente exaltou suas virtudes. "A ideia de um sistema operacional que faz realmente apenas uma coisa - conecta você à internet muito rápido - é perfeita para mim".
Quando for oficialmente lançado, o Chrome OS será um marco para a Google. O sistema não será apenas sua entrada no mercado de sistemas operacionais, há muito tempo dominado por sua arqui-inimiga Microsoft, mas também um novo paradigma da computação.
O sistema operacional Chrome é desenvolvido para permitir que os computadores inicializem já na internet em segundos, numa tela inicial que parece um navegador. Usuários de aparelhos que rodam o Chrome terão que realizar todas as suas atividades online ou "dentro da nuvem", sem baixar aplicativos tradicionais como iTunes e Microsoft Office, nem guardar arquivos em discos rígidos. Aparelhos que rodam o Chrome vão receber atualizações de software contínuas, fornecendo segurança adicional, e a maior parte dos dados dos usuários será guardada nos servidores da Google.
Alguns analistas estão céticos que pessoas comuns irão migrar para aparelhos que colocam limites tão severos em suas atividades de computação. O Chrome OS "é uma aposta num futuro em que superamos a riqueza de aplicativos e tudo acaba sendo realizado pelo navegador da internet", disse Michael Gartenberg, um analista da firma de pesquisa interpret. Mas esse tempo ainda não chegou, ele disse: "O Chrome este ano e no ano que vem é principalmente um projeto de ciências".
Mas para legiões de cabeças da Google, o fato de o sistema operacional parecer um projeto de ciências só aumenta seu fascínio. Versões funcionais do Chromium apareceram pela web e foram baixadas mais de um milhão de vezes. Segundo a opinião geral, a versão mais popular e funcional é a de um website de um garoto de 17 anos, de Manchester, Inglaterra, que usa o apelido "Hexxeh" na internet.
Liam McLoughlin ou Hexxeh, como é conhecido por familiares e amigos, é um universitário e programador que pegou o código Chromium da Google e compilou o mesmo de modo que o sistema operacional pudesse ser baixado num cartão de memória USB, que então pode ser usado para iniciar o sistema no computador. Ele passou incontáveis noites e fins de semana configurando o Chromium para que funcionasse em vários tipos de computador, incluindo o Macintosh, e acrescentou atributos que a Google ainda não tem, como suporte para a linguagem de programação Java.
Ele explicou que seu trabalho no Chromium começou em parte como uma forma de demonstrar suas habilidades de computação e possivelmente abrir portas na indústria de tecnologia. O trabalho também veio de um interesse e uma crença na visão de computação da Google. "Muitas pessoas não ligam para como funcionam os PCs e todos os softwares de segurança que vêm com os computadores de hoje. Elas só querem usar a internet", ele disse.
Desde o outono passado, uma pequena, mas vibrante comunidade se formou em torno de seu trabalho, incentivando-o com ideias e apoiando seus esforços através do envio de dinheiro para servidores e outras ferramentas de programação.
Steve Pirk, ex-engenheiro de sistemas da Walt Disney Company que hoje reside na região de Seattle, ajudou a dar suporte à maratona de códigos este ano ao doar US$ 50 pelo PayPal - quantia que McLoughlin gastou num estoque de refrigerante com muita cafeína.
Pirk disse que testou o software resultante de Hexxeh, chamado Flow, em seis computadores; todos funcionaram adequadamente com o Chromium a partir de um drive USB. Ele diz estar ansioso pelo dia em que computadores de baixa potência, mas totalmente funcionais, rodando o Chrome possam contribuir para uma nova onda de trabalhos à distância. "Quanto mais trabalhos fizermos na nuvem, menos será necessário que as pessoas estejam em ambientes de rede fisicamente seguros", ele disse.
Toda a atividade em torno dessas encarnações pré-natais do Chrome é uma faca de dois gumes para a Google. A companhia quer que desenvolvedores e outras companhias trabalhem no sistema, além de seus engenheiros, que estão desenvolvendo suas próprias versões. Mas a Google disse que não esperava que pessoas comuns começassem a usar o Chromium - e avaliá-lo - antes do sistema estar pronto para o "horário nobre".
Entretanto, o executivo da Google responsável pelo Chrome OS se esforçou para mostrar apoio aos fãs da Google que estão testando o Chromium - e ao suposto líder do bando, McLoughlin.
Sundar Pichai, vice-presidente de gestão de produto, disse que "é surpreendente ver o que pessoas como Hexxeh estão fazendo". Embora tenha chamado os lançamentos do Chromium de uma "consequência não-intencional" do processo de desenvolver um software de código aberto, ele disse, "se você decide fazer projetos de código aberto, você precisa abrir até o fim".
Tradução: Amy Traduções

- The New York Times






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