- Rafael Maia
- Direto de Porto Alegre
Para o educador suiço Jean Piaget, a absorção do conhecimento ocorre pela interação entre sujeito e objeto. Para o desenvolvedor de software Henrique Bastos, que falou neste sábado ao público do fisl11, em Porto Alegre, a ideia não foge do que o estudioso suíço afirmava no início do séc. XX: é somente por meio do trabalho em conjunto da teoria e da prática, da arte e da ciência, do individual e do social que se chega ao estágio de desenvolvimento. Assim, qualquer um pode programar, disse.
De acordo com Bastos, considerar a evolução do mundo digital sem levar em conta o lado humano por detrás deste processo é inconcebível. Para ele, apenas quando se juntam as duas pontas deste dilema é que se consegue alcançar o feedback, cuja importância se situa no que o desenvolvedor chama de "percepção de progresso".
Henrique faz parte de um grupo de treinamento chamado Dojo, no Rio de Janeiro. Ele explica que, para participar da ação, são necessários apenas uma sala, um computador, um projetor e uma plateia. Ele é dividido em três etapas: vermelho, verde e refatoração, nesta ordem. Na primeira, o piloto e o co-piloto escrevem um código, em um turno de cerca de cinco minutos, enquanto a plateia assiste em silêncio. Na segunda, o código é projetado e o público discute o que foi feito. Na terceira, o código é organizado e passado adiante para o próximo turno com novos piloto e co-piloto.
Parece brincadeira, mas é uma técnica séria de aprendizagem. A palavra Dojo faz alusão à disciplina e à interação social promovida pelas artes marciais e remete a princípios básicos para programadores e desenvolvedores de códigos livres: aprender, muitas vezes com os erros, praticar, ensinar e discutir o código.
"O código que você escreve não define quem você é. Em um fórum sobre software livre, é preciso abrir a cabeça e se libertar da questão da autoria e se entregar ao trabalho colaborativo", afirmou.
Para o palestrante, o Dojo é o local em que arte, representando a teoria, e ciência, fazendo as vezes da prática, encontram-se. É inclusivo e é a essência do pensamento de uma internet que se proponha coloborativa à medida que cria um espaço para a criação coletiva a partir do trabalho individual.
"É necessário humanizar o processo. Os códigos não se constroem sozinhos. Existem pessoas por detrás desse sistema, que precisam conversar, interagir, usar a intuição e se emocionar com a criação. Eles refletem as características do indivíduo, aquilo que o influencia no dia a dia", concluiu Bastos.
O fisl11 se realiza em Porto Alegre, no Centro de Eventos da PUCRS, até este sábado. O Terra TV transmite as palestras ao vivo, diariamente, das 9h às 21h. Todos os vídeos sobre o fisl podem ser acessados clicando aqui.
- Redação Terra




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