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 PF prende 20 em operação contra pedofilia na internet
27 de julho de 2010 18h04 atualizado em 28 de julho de 2010 às 09h35

Pelo menos 20 prisões em flagrante e três indiciamentos ocorreram nesta terça-feira decorrentes do início da operação Tapete Persa, da Polícia Federal, realizada em cooperação com a Interpol e a polícia alemã para combater a exploração e o abuso sexual infantil na internet.

O número é recorde para operações desse tipo, segundo a PF. Além de São Paulo, onde foi registrado o maior número de prisões - a PF não especificou quantas -, a operação abrange os Estados de Alagoas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Distrito Federal. Até o final desta terça-feira, a PF contabilizará os números consolidados da operação, que inclui 81 mandados de busca e apreensão.

"É um marco negativo", disse o delegado da PF Stênio Santos Souza, responsável pelo núcleo das investigações, em entrevista coletiva.

"São imagens degradantes, que fazem com que a gente sinta, que a gente perceba que tem menos humanidade hoje no mundo do que a algum tempo atrás. É a impressão que causa em razão da facilidade com que esse material tem sido propagado na internet", completou Souza.

De acordo com a PF, devido à forma como é compartilhado - por meio da rede P2P - não é possível identificar a origem desse material. "Não existe uma rede única. A característica dessa rede é exatamente que ela não está centralizada em um único ponto. A gente pode dizer que é impossível derrubar uma rede dessa natureza", afirmou Souza.

Operações recentes mostram um crescimento no número de pessoas que, além de possuir material pornográfico infantil, também cometem abuso. Segundo informou o delegado Marcelo Bórsio, que também integra o núcleo da PF responsável pelas investigações, os casos que também envolvem abusos representam cerca de 30 por cento das prisões ocorridas durante a operação Tapete Persa.

"Cada vez mais as pessoas que se servem das fotos de pedofilia estão praticando abuso. Essas pessoas que compartilham fotos também praticam abuso sexual infantil", disse Bórsio.

A Tapete Persa teve origem após investigações da polícia alemã levarem a indícios de que brasileiros poderiam estar compartilhando material de pornografia infantil na Internet. Essas informações foram repassadas à Polícia Federal no final de 2008.

"Ainda no primeiro semestre de 2009, a unidade central da PF para crimes de pedofilia iniciou investigações preliminares para identificação dos locais utilizados pelos suspeitos para cometimento dos crimes no Brasil e individualização de cada uma das condutas praticadas", informou a Polícia Federal em comunicado.

À mesma época, foi sancionada no Brasil a Lei 11.829, que torna mais rigorosa a punição a pedófilos e aumenta a abrangência para tipificação desse tipo de crime. Além de aumentar a pena máxima de crimes de pornografia infantil na Internet de 6 para 8 anos, a lei criminaliza a aquisição, posse e divulgação para venda de material pornográfico.

Para o delegado Santos, a "modernização" do "arcabouço legislativo" existente facilita o trabalho de investigação e de punição.

Reuters
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