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 Escritor se defende de acusação de ter plagiado a Wikipédia
06 de setembro de 2010 14h36 atualizado às 18h20

Mais recente romance de Houellebecq,  O mapa e o território  recebeu críticas muito positivas. Foto: AFP

Mais recente romance de Houellebecq, O mapa e o território recebeu críticas muito positivas
Foto: AFP

Sexista, obsceno e racista são adjetivos normalmente usados para criticar os livros de Michel Houellebecq. Contra o novo romance do mais conhecido escritor francês vivo, no entanto, pesam acusações de plágio: Houellebecq teria copiado e colado trechos inteiros da Wikipedia em sua mais recente obra, "La carte et le territoire" ("O mapa e o território", em uma tradução livre). O romance já é considerado favorito na disputa pelo prestigiado prêmio Goncourt, em novembro. Houellebecq diz que a acusação de plágio é "ridícula".

Nesta segunda-feira, o escritor - que vive na Espanha - viu-se envolvido em uma nova e grave polêmica, depois que o site Slate.fr afirmou que ele copiara trechos da Wikipédia. O artigo, intitulado A possibilidade do plágio, aponta pelo menos três passagens aparentemente emprestadas da edição francesa da enciclopédia online.

Em uma entrevista gravada em vídeo e postada nesta segunda-feira pelo site da revista Le Nouvel Observateur, Houellebecq diz que a acusação de plágio é "ridícula" - apenas mais uma na longa lista de insultos já disparados contra sua obra. "Quando você usa uma palavra grande como 'plágio', mesmo se a acusação é ridícula, algo sempre permanecerá (...). É como racismo", afirmou o escritor.

"E, se as pessoas de fato pensam isso, então elas não têm a menor noção do que é literatura. Isso faz parte do meu método", defendeu-se. Misturar textos "reais" com a ficção é uma técnica largamente utilizada por escritores de todas as épocas e estilos, como era o caso do argentino Jorge Luis Borges e do francês Georges Perec, argumentou Houellebecq.

O livro
Muito esperado pela horda de fãs de Houellebecq (cujo último romance foi publicado em 2005), o livro satiriza alegremente o mundo da arte parisiense, incluindo um escritor bêbabo, fedorento e mal-vestido chamado Michel Houellebecq. No entanto, dispensa em grande parte as provocações misantrópicas presentes em seus quatro romances anteriores.

La carte et le territoire recebeu muitas críticas positivas até agora - o jornal Libération chegou a dizer que se trata de uma "obra-prima" -, e alguns especialistas chegaram a estimar que a ausência de sexo bizarro, misoginia e retórica anti-islã mostra que Houellebecq está finalmente mostrando um lado mais suave de sua escrita.

AFP
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