Este modelo de Arduino possui um microcontrolador acoplado a uma shield com saída USB para transferência de dados
Foto: Pedro Faustini/Terra
- Pedro Faustini
- Direto de Porto Alegre
A capital gaúcho foi sede, neste sábado, de uma maratona de palestras que reuniu cerca de 50 pessoas para falar dos benefícios do software livre. O Software Freedom Day (SFD) é organizado pela ONG Software Freedom International desde 2004 em várias cidades do mundo para falar de linguagens de programação, suítes de escritório, distribuições Linux, carreira em tecnologia e desenvolvimento de placas. Nesta edição em Porto Alegre, o projeto Arduino foi um dos destaques.
O programador formado em Ciência da Computação Leandro Nunes e o estudante de Engenharia da Computação Bruno Schmitt falaram sobre o Arduino, um projeto que começou na Itália em 2005 e utiliza peças existentes no mercado, de baixo custo, que permite que pessoas construam pequenos computadores baseados em microcontroladores Atmega, da empresa Atmel. Todos os esquemas de montagem são liberados no site do projeto.
Por si, os pequenos sistemas embarcados não fazem muita coisa. Mas se combinados com a criatividade do criador, é possível desenvolver ferramentas que acendam e apagam a luz de um abajur, criar controles remotos para carrinhos e sensores de temperatura, ou ainda elaborar GPS e até mesmo placas de rede, conforme Schmitt. Tudo depende do equipamento que o desenvolvedor tiver.
Segundo Leandro, as peças para montar um microcontrolador custam em torno de R$ 50. Ele possui uma memória que varia de 4 a 16 kb de RAM. A frequencia de processamento é da ordem de 16 mhz. "É comparável a um computador de processador da arquitetura 286", dos anos 80.
BrOffice
O consultor independente de TI, Luiz Rauber, falou sobre o BrOffice, suíte que possui programas semelhantes aos contidos no Microsoft Office, mas livres e gratuitos.
O projeto começou em 1990 com o Star Office, da empresa alemã Star Division. Em 1998, a empresa disponibilizou o programa gratuitamente. Com sua compra pela Sun Microsystem, em 2000, o código fonte do programa foi disponibilizado aos usuários. Nascia o Open Office. O termo já estava registrado no Brasil, e por isso recebeu o nome de BrOffice no País. Segundo Rauber, só há voluntários no projeto, que criaram a ONG BrOffice em 2006. Roda em Windows, Linux, Mac e Solaris. Salva e abre arquivos em diversos arquivos, dentre eles os mesmos do Office da Microsoft.
Rauber disse que na empresa da família, que trabalha com veículos, em Santiago, no Rio Grande do Sul, o Open Office foi implementados sem muitos problemas em 2002, a não ser por ser em inglês e por por haver problemas na apresentação de planilhas eletrônicas. "Permanecemos com o Excel (da Microsoft) porque algumas planilhas não abriam direito", disse. No entanto, afirmou que economizou bastante em licenças, sem entrar em valores. Com a chegada do BrOffice, o inglês já não era mais mais problema.
Programação
Para um público mais experiente, o desenvolvedor em linguagem Java Diogo Böhm mostrou como criar aplicações em três dimensões com Java através do motor gráfico jMonkey Engine. O palestrante mostrou como criar, em 3D, cenários de montanhas e praias e inclusive um jogo de RPG multiusuário.
O palestrante Gabriel Engel falou sobre a linguagem de programação Ruby, criada em 1993 pelo japonês Yukihiro "Metz" Matsumoto. Engel disse que, em 1999, um livro de Metz sobre a linguagem vendeu 17 mil das 20 mil cópias impressas no país asiático. "Como se toda a população de programadores tivesse comprado o livro", disse ele. Atualmente, Ruby possui pouco mais de um milhão de usuários no mundo. "A expectativa para 2013 é de que seja utilizada por 4 milhões", afirmou. Ruby é uma linguagem interpretada e orientada a objetos.
Semelhante a Ruby, o programador Sérgio Berlotto abordou a linguagem Python, em uma palestra voltada para iniciantes. Ele mostrou exemplos de códigos e disse que apesar de trabalhar com Java, estuda Python porque gosta. "É uma linguagem com nível de aprendizado médio", afirmou. Python, criada em 1991 pelo holandês Guido van Rossum, é uma linguagem livre, interpretada, multiplataforma e orientada a objetos.
Empreendedorismo
O físico Maurício Mauad falou sobre a carreira na área da tecnologia. Ele defendeu a ideia do empregado empreendedor. "Empreender é usar todas as suas capacidades para gerar vantagem competitiva em uma empresa, ou criar um novo mercado", afirmou.
Para isso, deve-se entender como as pessoas interagem com a tecnologia e como essa interação afeta a demanda para novas facilidades. Deu exemplos sobre anunciar preços de produtos (como comida) por redes sociais para atingir um grande público, ou a criação de páginas wiki em empresas, para que os empregados tenham mais conhecimento sobre o que acontece.
Ubuntu
Uma prévia da nova versão do mais popular Linux - o Ubuntu - seria apresentada na tarde deste sábado aos participantes do Software Freedom Day. Com lançamento previsto para o dia 10 de outubro, a 10.10 Maverick Meerkat ainda não está pronta, mas já se sabe que trará mudanças no visual, terá melhor adaptabilidade a netbooks e operará melhor como servidor de cloud computing.
A apresentação do Linux Ubuntu, que seria feita pelo administrador de sistemas André Gondim, acabou não acontecendo. Gondim, por problemas de saúde, não compareceu ao evento.
O Software Freedom Day ocorreu no dia 18 de setembro em várias cidades do mundo, mas foi adiado no Rio Grande do Sul em função do feriado de 20 de setembro.
- Redação Terra


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