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Setor de eletrônica japonês terá crise prolongada de suprimentos

16 mar 2011 - 10h05
(atualizado às 11h24)
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Os fabricantes japoneses de produtos eletrônicos alertaram que sua produção será prejudicada por novos problemas de suprimento e distribuição de componentes, em meio às quedas de energia que vêm acontecendo depois do desastre no Japão.

Vista aérea mostra a destruição que a tragédia causou na cidade de Minamisanriku
Vista aérea mostra a destruição que a tragédia causou na cidade de Minamisanriku
Foto: AP

A Canon anunciou que poderá suspender a produção em uma de suas principais fábricas em Oita, no sul do país, alegando problemas no fornecimento de componentes e para a distribuição. "As notícias de que o terremoto prejudicou a cadeia de suprimento para bases de produção em Kyushu, bem longe de Tokohu, causarão alguma surpresa, e isso mostra o potencial de perturbações semelhantes em outras companhias", afirmou Masahiro Shibano, analista do Citibank, em relatório. A fábrica de Oita, que produz câmeras, lentes e impressoras compactas, conta com 4,5 mil funcionários.

O Japão respondeu por 14% da produção mundial de computadores, bens eletrônicos de consumo e equipamentos de comunicação, no ano passado, de acordo a IHS iSuppli. A perspectiva de perturbações prolongadas no suprimento já causou alta nos preços de componentes essenciais. Caso a cadeia de suprimento venha a se romper, mesmo que por poucas semanas, o impacto seria sentido na forma de preços mais altos ou escassez de aparelhos como tablets, celulares inteligentes e computadores, nos próximos meses.

A Nikon informou que a suspensão da produção em suas fábricas de equipamento de precisão no norte do Japão inevitavelmente causará problemas nas fábricas mais próximas da capital, cujos estoques de componentes vão acabar. As fábricas da companhia na região de Tóquio também podem ser afetadas pelo racionamento de energia que deve entrar em vigor no final de abril.

Em Tóquio, dificuldades nos transportes prejudicam as operações. A Sony informou que apenas 120 dos 6 mil funcionários que trabalham em sua sede em Tóquio estavam presentes na quarta-feira, em função de problemas nos serviços ferroviários. As ações da Sony se recuperaram, no entanto, com alta de quase 9% na quarta-feira depois da queda de 17% nos dois dias seguintes ao desastre japonês, que causou destruição em largas áreas da costa nordeste do país. A reconstrução da infraestrutura destruída, rodovias, ferrovias, redes elétricas e portos, nas regiões afetadas do Japão vai demorar ao menos cinco anos, informaram especialistas esta semana.

Terremoto e tsunami devastam Japão

Na sexta-feira, 11, o Japão foi devastado por um terremoto que, segundo o USGS, atingiu os 8,9 graus da escala Richter, gerando um tsunami que arrasou a costa nordeste nipônica. Fora os danos imediatos, o perigo atômico permanece o maior desafio. Diversos reatores foram afetados, e a situação é crítica em Fukushima, onde existe o temor de um desastre nuclear.

Juntos, o terremoto e o tsunami já deixaram mais de 3,3 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Além disso, os prejuízos já passam dos US$ 170 bilhões. Em meio a constantes réplicas do terremoto, o Japão trabalha para garantir a segurança dos sobreviventes e, aos poucos, iniciar a reconstrução das áreas devastadas.

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