Tecnologia

 
 

Notícias » Tecnologia » Tecnologia

 'Google está virando a Microsoft', diz analista sobre fim do Labs
23 de julho de 2011 11h46 atualizado em 26 de julho de 2011 às 10h07

Entre os produtos que nasceram pelo Google Labs está o Maps, serviço de mapas da gigante das buscas. Foto: Google/Reprodução

Entre os produtos que nasceram pelo Google Labs está o Maps, serviço de mapas da gigante das buscas
Foto: Google/Reprodução

Ismael Cardoso

Se há uma palavra que sempre resumiu bem o espírito empresarial do Google, essa palavra é inovação. E uma das marcas desse conceito é o Google Labs, projeto que mostra novas ferramentas e tecnologias desenvolvidas pelos funcionários do Google e que são postos à prova para que os usuários testem e enviem sua opinião para a empresa. Na quarta-feira, a companhia decidiu abandonar o serviço, o que levanta a dúvida: onde fica a tão falada inovação do gigante das buscas? Para o diretor da Bites, empresa de consultoria em internet, Manoel Fernandes, o Google passa atualmente por um amadurecimento do seu modelo de negócios. "O Google está deixando de ser o Google para ser a Microsoft, focada no que dá resultado, no que dá mais dividendos, mas perdendo um pouco de contato com o que é o pulso da internet, a experimentação", disse ele em conversa com o Terra.

Inúmeros sucessos do Google começaram assim: Google Maps, Reader e Groups são exemplos disso, ideias inovadoras postas à prova no Labs. Mas mesmo com tantos exemplos de sucesso - e uma fila de mais de 50 outras ferramentas aguardando para virarem produtos oficiais no portifólio da empresa -, o serviço chega ao fim, como parte da estratégia da companhia de priorizar esforços em produtos realmente importantes. Uma das práticas mais conhecidas do Google é o de permitir que funcionários usem 20% do expediente para trabalharem em projetos inovadores. Mas o que mudou nesse meio tempo? "O Google percebeu que quando era monopolista e majoritário, fazer experimentos fazia sentido. Hoje eles pensam que não podem mais dispersar energia em um momento tão importante, em que devem proteger seus flancos para não serem atacados e perder mais espaço", afirma Fernandes.

Segundo o analista, as maiores ameaças para o Google hoje são o Facebook e uma nova realidade da internet: as pessoas precisam cada vez menos de buscadores. "O usuário pode consultar os contatos na própria rede social e ter um resultado muito mais confiável do que por uma busca no Google", afirma. Para ele, o Google vê a necessidade de construir um produto forte. "Hoje quando o usuário quer navegar na internet, ele vai de uma ilha a outra. O Facebook é uma ilha, o Quora - site de perguntas e respostas - é uma ilha, mas o Google é um grande oceano, e precisa construir essa ilha, e está buscando ser parte dessa ilha", diz.

O foco em novos produtos parece ser realmente o motivo do encerramento do Google Labs. Em nota oficial, o vice-presidente de Pesquisa e Infraestrutura de Sistemas da empresa, Bill Coughran, afirmou que "apesar de termos aprendido muito lançando uma grande quantidade de protótipos no Labs, acreditamos que um foco maior é crucial se quisermos aproveitar ao máximo as oportunidades que surgirem pela frente". O fim do Labs não significa o abandono total dos produtos. Segundo a companhia, o Google vai aposentar alguns dos experimentos e manter outros funcionando, incorporando-os a outras áreas da empresa, mas não divulgou ainda que produtos serão esses. Por outro lado, a companhia afirmou que não há planos para mudar as experimentações dentro do Gmail ou do Maps. "Vamos continuar a experimentar novas funcionalidades em cada um de nossos produtos", afirmou a companhia em nota enviada ao Terra.

Para o diretor da Bites, a nova estratégia coloca o Google em risco. "Se você não experimentar, não descobre oportunidades, como já foi feito. Isso deixa o Google, como empresa, mais focada, mas menos inovadora", disse. E essa é a principal dúvida do analista. "A minha pergunta - e eu não tenho essa resposta - é onde o Google irá inovar. A fome por inovação sempre foi uma característica do Google. A área para isso era o Labs, e agora? Para que setor vai isso?", questiona. Em nota ao Terra, o Google afirmou que continuará inovando, mas em escala maior. "Em vez de dispersar nossos esforços através de diversos produtos isolados, queremos refocar nossa força em projetos de impacto global, em apostas ainda maiores. Nosso objetivo é inovar mais rápido do que nunca, e com ainda mais impacto".

Terra
  1. O Google anunciou o final do Google Labs, o espaço para experimento, nesta semana. Vários produtos nasceram desde espaço, como o Google Maps, que é um dos serviços do Google mais usados depois da tradicional busca. Ele está disponível a cerca de 30% da população do planeta. Veja outros nesta galeria.

    Foto: Google/Reprodução

  2. O Google Suggest é uma extensão que "advinha o que você está procurando" ao autocompletar palavras e frases e é um embrião do autocompletador do serviço de busca da companhia

    Foto: Google/Reprodução

  3. O Google Docs é um serviço na nuvem da companhia para o armazenamento de arquivos. Criado em 2006, ele é uma espécie de "Word", com as mesmas funções, mas sem ocupar a memória física do computador

    Foto: Google/Reprodução

  4. O Google Alerts é a tradicional prática da comunicação chamada Newsletter transmitida para o ambiente online. Pelo serviço, o usuário recebe alertas dos conteúdos mais relevantes da web e o monitora diariamente

    Foto: Google/Reprodução

  5. Google Reader foi lançado em 2005 e é um dos agregadores (também chamados de feed) de notícias e conteúdo mais usados na web

    Foto: Google/Reprodução

  6. O Google Goggles é a busca por imagem do Google. O serviço é o embrião do Google Imagens, que funciona fora da versão beta há cerca de um mês

    Foto: Google/Reprodução

  7. Google Groups - o serviço é um criador de grupos de discussão na web. Ele foi criado em 2001 e em 2004 saiu da versão beta e é utilizado até hoje

    Foto: Google/Reprodução

  8. O Google Body é uma extensão do Labs que permite viajar pelo interior do corpo humano em 3D

    Foto: Google/Reprodução

  9. O Google Acadêmico reúne trabalhos acadêmicos, artigos científicos e literatura de forma eficiente e é bastante usado em universidades em todo o mundo

    Foto: Google/Reprodução

  10. O iGoogle foi lançado em 2005 é a tentativa do Google de dar a possibilidade para o usuário criar uma página personalizada do Google com base na tecnologia AJAX, organizando os gadgets mais utilizados na página inicial

    Foto: Google/Reprodução

/foto/0,,00.html