A Zynga é produtora de famosos jogos para smartphones e redes sociais, como o MafiaWars
Foto: Zynga/Reprodução
E o desempenho que a Zynga apresentará como companhia de capital aberto - a empresa projeta levantar US$ 925 milhões, com base em uma avaliação de valor de mercado de US$ 9 bilhões, ao lançar suas ações na Nasdaq na sexta-feira- dependerá em larga medida de sua capacidade de se libertar do Facebook. Ou, ao menos, de convencer os investidores céticos de que é possível fazê-lo.
Até agora, porém, o ceticismo continua. Durante um almoço de apresentação da oferta pública inicial da Zynga, na segunda-feira em São Francisco, investidores dedicaram a maior parte de suas perguntas aos executivos da Zynga à questão do Facebook. "Sempre que existe tamanha dependência com relação a uma única empresa é justificável que haja preocupação," disse Dan Niles, vice-presidente de investimento da AlphaOne Capital Partners, que não participou do almoço, mas assistiu a uma das apresentações da Zynga via internet.
Sob uma perspectiva de investimento, ignorar o fato de que apenas 5% dos US$ 828 milhões em faturamento da Zynga nos nove primeiros meses do ano vieram do Facebook poderia ser prejudicial. A Zynga admitiu o ponto em seu prospecto de abertura de capital, apontando que "qualquer deterioração em nosso relacionamento com o Facebook poderia prejudicar nossos negócios e afetar de maneira adversa nossas ações ordinárias".
O Facebook fica com 30% de comissão sobre a receita que a Zynga aufere na rede social, que conta com mais de 222 milhões de usuários ativos de produtos Zynga, de acordo com o site de monitoramento de tráfego AppData. A Zynga obtém a maior parte de seu faturamento junto a menos de 3% do total de usuários de seus jogos, que adquirem itens virtuais como caminhões e fichas de pôquer.
Depender tanto de uma única empresa acarreta riscos para o potencial de crescimento da Zynga. Se o crescimento no número de usuários do Facebook desacelerar, por exemplo, é provável que o mesmo aconteça com a Zynga. Ou, em um caso extremo, caso o Facebook decida subitamente excluir os jogos de sua rede, todo o negócio da Zynga seria afetado. A Zynga também depende do Facebook de outras maneiras. De acordo com documentos encaminhados às autoridades regulatórias em 18 de julho, ela tem obrigação contratual de lançar alguns de seus jogos no Facebook antes que o faça em outras plataformas.
E o pior é que a Zynga talvez tenha fracassado na única tentativa que fez até agora de se afastar um pouco do Facebook. Quando a empresa, em outubro, revelou sua nova plataforma on-line "Zynga Direct," em um de seus raros eventos para a mídia, em São Francisco, o projeto foi apresentado como forma de lidar diretamente com seus usuários, sem intermediação. Mas os usuários que foram ao site da Zynga para obter login direto na empresa, o chamado Z Tag, foram instruídos a primeiro instalar o aplicativo da Zynga no Facebook, o que causou a impressão de que a companhia estava se integrando ainda mais ao Facebook, e não se afastando dele. Um porta-voz da Zynga se recusou a comentar sobre a oferta pública inicial da companhia.
O argumento contrário é de que a dependência da Zynga quanto à plataforma pode atrair investidores interessados em apostar no crescimento do Facebook. Já que a oferta pública inicial do gigante das redes sociais ainda demorará alguns meses para acontecer, no momento não existem muitas maneiras de participar do sucesso do Facebook via mercado de ações. "Antes que o Facebook abra seu capital, a Zynga é o substituto mais próximo que os investidores podem obter," disse Colin Sebastian, analista da Robert W. Baird & Co. "No momento, a Zynga depende totalmente do Facebook, o que pode atrair investidores que desejem exposição à mídia social."

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