A Olympus, companhia japonesa abalada por escândalo contábil, estimou nesta segunda-feira prejuízo líquido de US$ 410 milhões para o atual ano fiscal, em larga medida devido às problemáticas operações de câmeras fotográficas. A força da divisão de endoscópios, entretanto, sugere que o principal negócio da empresa escapará do fiasco, enquanto o presidente afirmou que a empresa pode tentar ir adiante sozinha, sem buscar capital externo.
A fabricante de câmeras e equipamento médico vem considerando ofertas de aliança com o objetivo de remediar sua situação financeira, depois que um escândalo contábil de US$ 1,7 bilhão reduziu severamente seus ativos. Sony, Fujifilm, Terumo e a sul-coreana Samsung Electronics aparentemente estão entre os interessados.
"Dada a natureza das operações de endoscópios, a concorrência é limitada e o escândalo não teve impacto muito grande sobre o negócio", disse Yasuo Sakuma, administrador de fundos na Bayview Asset. "A questão é determinar a agressividade dos potenciais interessados. A Sony pode se provar a mais agressiva, porque seu novo presidente-executivo (Kazuo Hirai) declarou explicitamente que os serviços médicos serão o novo foco da companhia. A Fujifilm pode relutar mais porque uma aliança talvez lhe cause problemas antitruste", disse.
Shuichi Takayama, presidente da Olympus, reiterou na segunda-feira que qualquer decisão sobre uma parceria terá de esperar a posse de um novo comando executivo, depois da assembleia anual de acionistas da companhia, em abril, e acrescentou que seguir adiante sem obter capital adicional também é uma opção. "Creio que seja uma possibilidade", disse Takayama a jornalistas, quando questionado se não receber uma injeção de capital e seguir adiante de modo independente, pelo acúmulo de lucros, era uma possibilidade para a companhia.
A Olympus antecipou prejuízo líquido de 32 bilhões de ienes (US$ 412 milhões) para o ano fiscal que se encerra em 31 de março, devido a problemas em sua debilitada divisão de câmeras e a correções de valores de ativos por motivos tributários. A previsão se compara a lucro líquido de 3,87 bilhões de ienes no ano fiscal anterior e a uma projeção antes do escândalo de 18 bilhões de ienes de lucro. No terceiro trimestre fiscal, a Olympus, que detém 70 por cento do mercado mundial de endoscópios, reportou prejuízo líquido de 756 milhões de ienes, ante lucro de 2,04 bilhões de ienes no mesmo período em 2010.

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