O Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) se manifestou nesta terça-feira contra à ação da Advocacia-Geral da União (AGU) que pede o bloqueio de contas do Twitter que difundem informações sobre os locais e horários de blitze policiais no Estado. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão quer o indeferimento da petição inicial da AGU ou a extinção do processo, considerando a proposta "inútil".
De acordo com o procurador Ailton Benedito, a petição é inepta por não satisfazer requisitos fixados pelo Código de Processo Civil, além de não ter "interesse útil" à alteração da "realidade prática". "É absolutamente irracional, desde a pressuposição de convivência em sociedade aberta, constituída sobre os alicerces de liberdade, que se divise alguma possibilidade de se impedir o livre fluxo de informações pela internet", afirma Benedito.
Segundo o MPF-GO, "tentativas com esse desiderato mostram-se, em regra, não somente inúteis como também contraproducentes. Sobretudo, se o Estado-governo pretender impor tais limitações de forma genérica e abstrata, a fim de inibir a prática de crimes. Nesses casos, as autoridades públicas jamais conseguem fechar todas as portas abertas aos criminosos, que, ordinariamente, sempre desenvolvem novas formas de comunicar e se organizar para suas práticas delituosas, escapando dos débeis limites estatais".
Fiscalização
De acordo com a especialista em análise de mídias sociais, Natália Pellizzon, já existem ferramentas capazes de fazer uma varredura nas redes sociais e coletar postagens de alerta sobre blitze, porém, elas podem ficar limitadas em perfis configurados como privados. "As ferramentas conseguem coletar palavras-chave sobre determinados assuntos, desde que as contas do Twitter ou Facebook estejam marcadas como 'públicas'", disse.
De acordo com a especialista, rastrear os comentários de cada usuário das mídias sociais exigiria a criação de uma equipe que fosse capaz de filtrar as postagens e gerar relatórios. Como o aumento do número de adeptos às redes sociais no Brasil, esse trabalho seria cada vez mais complicado. "O volume de informação é muito grande, e muitas vezes aparecem comentários que são filtrados e não correspondem ao assunto de interesse", completou.
- Terra


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