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USP se inspira no MIT e constrói centro avançado de pesquisas

31 jan 2012
08h43
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Com previsão de inauguração para março, o Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas (Citi) é a nova "menina dos olhos" da Universidade de São Paulo (USP). O centro faz parte de um grupo de 43 projetos do Programa de Apoio à Pesquisa, selecionados pela universidade para receber um total de R$ 70 milhões. Com as obras em andamento, o prédio, localizado no chamado bolsão da Escola Politécnica da USP, vai se transformando em um espaço moderno que abrigará tecnologias e profissionais de diversas áreas, com um modelo inspirado nas inovações do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos .

"A Universidade de São Paulo é eminentemente uma universidade de pesquisa, mas faltavam iniciativas para a pesquisa interdisciplinar e para a construção de redes temáticas", explica o coordenador do centro, professor Marcelo Zuffo. Para ele, o Citi foi criado em uma época em que a importância da tecnologia no cotidiano dos brasileiros cresceu muito, sendo vista também como ferramenta de ascensão social.

Ao mesmo tempo, para Zuffo, a área de tecnologias interativas vive uma crise: com a indústria cada vez mais avançada e alcançando rapidamente o mesmo patamar das pesquisas, os centros universitários têm de acompanhar esse processo. "No universo das tecnologias interativas, nós chegamos à conclusão de que a USP precisava construir um centro de alta qualidade, aos moldes, por exemplo, do MIT Media Lab", explica o professor. O Citi já está instituído desde 28 de outubro e agora busca parcerias com empresas e várias entidades públicas nas diversas esferas governamentais, desde municipais até federais.

Dentro desta ideia de democratização das informações e da tecnologia, um dos principais conceitos desenvolvidos no Citi será o de "think tank", um espaço para constante troca de ideias, reunindo profissionais de diversas áreas e talentos. Conceito bastante difundido nos países europeus, o think tank, no Brasil, está presente em poucas áreas, principalmente no setor político, explica Zuffo, que considera o conceito uma ferramenta essencial na definição de políticas públicas. "No Brasil, não só temos no setor político, mas existem, ao redor do mundo, diversos think tanks em várias áreas, e nós somos, de fato, o primeiro do País na área de tecnologia de ponta", diz.

Além de professores e alunos da USP, de áreas como engenharia, matemática, farão parte do Citi acadêmicos das faculdades de medicina e de filosofia, ciências e letras de Ribeirão Preto, realizando estudos em tecnologia musical, por exemplo. O conceito multidisciplinar, portanto, é uma das grandes bandeiras do centro. "O mais importante é ter esse pessoal todo trabalhando junto", defende o professor.

Projeto aposta no conceito de 'fábrica laboratório'
Além do think tank, outra diretriz do Citi é o conceito de "fab lab" (fábrica laboratório). "O centro tem dois focos: o de ser formulador de políticas públicas a partir de tecnologias interativas e o conceito de fábrica laboratório. Ou seja, é um centro que não vai ficar apenas na teoria", explica o professor. Dessa forma, dentro do direcionamento em pesquisa interdisciplinar, básica e em inovação, serão desenvolvidos diversos projetos com tecnologias interativas, e também estão previstos para 2012 vários seminários sobre a discussão em torno do papel das tecnologias.

Além disso, o Citi também desenvolve pesquisas que tiveram início no Laboratório de Sistemas Integrados da USP, o LSI, em áreas como banda-larga, TV digital, tablets e realidade virtual. Zuffo, que também participa do laboratório, explica que o início das operações do centro não significa o fim das pesquisas no LSI: "Essas duas organizações vão crescer muito mais, pois a necessidade de projetos utilizando tecnologia de ponta está aumentando, e talvez haja uma demanda por mais atividades dentro do LSI, devido a uma pressão para que a universidade desenvolva um número cada vez maior de pesquisas e experimentos". É a ciência mais próxima do cotidiano de uma população que consome cada vez mais aparatos tecnológicos. 

Ilustrações mostram como vai ser o centro, que deve ficar pronto em março
Ilustrações mostram como vai ser o centro, que deve ficar pronto em março
Foto: USP / Divulgação

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